AMAZONAS - PABLO NERUDA

Amazonas,

capital das sílabas da água,

pai patriarca, és

a eternidade secreta

das fecundações,

te caem os rios como aves, te cobrem

os pistilos cor de incêndio,

os grandes troncos mortos te povoam de perfume,

a lua não pode vigiar-te ou medir-te.

És carregado de esperma verde

como árvore nupcial, és prateado

pela primavera selvagem,

és avermelhado de madeiras,

azul entre a lua das pedras,

vestido de vapor ferruginoso,

lento como um caminho de planeta.

- Pablo Neruda, no livro “Canto Geral”